Celeus é um gênero de de aves piciformes da família Picidae, típicos do Novo Mundo. O grupo inclui 13 espécies, 11 das quais com ocorrência no Brasil.
Os pica-paus Celeus são aves de médio porte, com cerca de 20 a 28 centímetros de comprimento. Uma das suas características mais notáveis é a presença de uma crista na cabeça, muitas vezes colorida. A plumagem destas aves varia de espécie para espécie, sendo que a maioria é marrom. O corpo, mas principalmente as asas, costumam ter padrões riscados ou escamados em tons mais claros ou escuros. O grupo apresenta dimorfismo sexual: os machos são maiores e têm uma mancha vermelha nas faces, ausente nas fêmeas de todas as espécies.
Habitam áreas de floresta, preferindo as zonas mais densas.
O pica-pau-de-cara-canela mede 29 centímetros de comprimento.
Cabeça e topete vermelhos, face e garganta creme-claras ou cor-de-canela, região auricular vermiculada; macho com faixa malar vermelha. Partes inferiores transversalmente fasciadas tendo, dorso anterior negro, dorso inferior até as supracaudais creme.
Espécie endêmica da Mata Atlântica. Ocorre no nordeste da Argentina, sudeste do Paraguai e Brasil, neste último, atualmente, no sul de São Paulo, sudeste e sudoeste do Paraná, nordeste e oeste de Santa Catarina e noroeste do Rio Grande do Sul (Sick, 1997; Bodrati & Cockle, 2006; Santos, 2008). Atualmente Misiones, Argentina, é a área com maior incidência de registros da espécie, sendo considerada um reduto importante para esta (Lammertink et al., 2011). Há, ainda, coletas históricas para Rio Grande do Sul nos municípios de Taquara, Poço das Antas e Dom Pedro de Alcântara (Santos et al., 2008), neste último sendo coletado pelo naturalista Emil Kaempfer.
O pica-pau-amarelo mede cerca de 25 centímetros de comprimento. Toda plumagem amarelo-clara exceto as asas e a cauda, que são preto-pardacentas. Topete bem alto e macio. O macho apresenta uma faixa vermelha nas laterais da cabeça, próximo à base do bico.
Habita florestas ralas, plantações de cacau, florestas de várzea, capoeiras e florestas em áreas pantanosas. Vive solitário, aos pares ou em grupos de 3 ou 4, principalmente à altura do estrato médio. Raro de ser notado, fica na parte mais fechada da mata e sob as copas. Voz: Sequência de 6 melancólicos “glü”, a última nota mais baixa.
Ocorre do norte da América do Sul à Bolívia, Mato Grosso (rio das Mortes e Xingu), leste do Pará (Belém) e Maranhão. Também de Alagoas ao Espírito Santo. Ssp. flavus: Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Bolívia e Amazônia brasileira até o Sul de Mato Grosso. Ssp. peruvianus: Peru. Ssp. subflavus: Brasil (de Alagoas à Bahia e Espírito Santo). Ssp. tectricialis: Brasil (Maranhão).
O pica-pau-barrado mede aproximadamente de 20 a 23 centímetros. Uniformemente castanho com as partes inferiores, dorso, asas, uropígio e cauda barrados de negro; macho com faixa malar vermelha.
Típico do nordeste da Amazônia, vive em bordas de matas de terra firme, mata ripárias ribeirinhas e campos arborizados. Compete co Selenidera culik por ocos usados como Como local de dormida estando o araçari, normalmente na posição de ladrão. Voz: Forte “uit-koa” bem típico, praticamente a mesma voz de Picapauzinho-chocolate (Celeus grammicus). Tanto o macho quanta a fêmea tamborilam.
Ocorre das Guianas à região do rio Branco e nos rios Negros e Amazonas até o Amapá; também no Maranhão, leste do Pará, de Belém ao baixo Xingu. Ssp. undatus: Venezuela, Guianas e Brasil (norte do Amazonas e Rio Negro). Ssp. amacurensis: Venezuela (Delta do rio Amacuro). Ssp. multifasciatus: Brasil (sul do Amazonas, Pará, rio Tocantins e Maranhão).
O pica-pau-chocolate mede entre 26 e 32 centímetros de comprimento.
De plumagem cor-de-chocolate, com uropígio amarelo; macho com faixa malar vermelha. As populações ao norte do rio Amazonas possuem topete amarelo e as populações ao sul tem topete castanho.
Vive na Amazônia em matas de terra firme e de várzea, matas de galeria, manguezais, plantações de cacau e matas secundárias. Encontrado solitário, aos casais ou em grupos de até 5 indivíduos. Segue bandos mistos de aves. Voz: É uma sequência melodiosa e descendente “wüa ü-ü-ü-ü-ü-ü”, um duro “ Kia”; um suave “guarrr”. Tamborilar bissilábico “dop-dop”.
De ampla distribuição amazônica, ocorre das Guianas, Venezuela e Colômbia à Bolívia, Mato Grosso (Alto Xingu), sul do Pará (rio Cururu, Serra do Cachimbo) e Maranhão.
O pica-pau-de-cabeça-amarela mede cerca de 27 centímetros de comprimento.
Cabeça e face amarelos, com proeminente topete da mesma cor; macho com faixa malar vermelha. Partes superiores pretas, barradas de branco e partes inferiores uniformemente pretas. Tem coloração muito variável do ponto de vista geográfico.
Vive na Mata Atlântica, matas mesófilas, matas secas, matas de araucária, matas de galeria, caatinga, cerrados, eucaliptais, parques e zonas rurais arborizadas. Encontrado geralmente em casais ou em grupos familiares de 3 a 4 indivíduos.
Ocorre da margem setentrional do baixo Amazonas ao Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina (Misiones).
O pica-pau-ocráceo mede cerca de 27 centímetros de comprimento.
Cabeça e face amarelos, com proeminente topete da mesma cor; macho com faixa malar vermelha. Possui dorso fortemente barrado com predominância da cor caramelo ou amarelo, o barrado das partes superiores são reduzidas a nódoas.
Ocorre no Amazonas, Pará, Tocantins até o norte do Ceará. E a Leste do Brasil até o Atlântico. Ao sul ocorre na Bahia e Minas Gerais. A Oeste tem ocorrência em Goiás.
O pica-pau-de-coleira mede 27 centímetros de comprimento.
Vive em bordas de matas de terra firme e de várzea, matas de galeria, matas secundárias e clareiras e na Mata Atlântica da Bahia, onde se encontra a subespécie C.t. tinnunculus. Encontrado aos pares ou em grupos familiares de até 5 indivíduos. Pousa em troncos altos. Acompanha bandos mistos de aves.
Ocorre do norte da América do Sul aos altos rios Tapajós, Xingu e das Mortes (Mato Grosso), Goiás (Rio Maranhão). No Brasil oriental vive uma população disjunta, Celeus torquatus tinnunculus, na Bahia e Espírito Santo.
O pica-pau-da-taboca mede 27 centímetros.
Cabeça ferrugínea, sendo que o macho apresenta faixa malar e topete vermelhos; peito e cauda negros; asas ferrugíneas; dorso superior amarelo escamado de preto, dorso inferior e partes inferiores amareladas.
É endêmico do Brasil. Descrito de um espécime encontrado no Piauí (Uruçuí, rio Parnaíba), foi recentemente encontrado no Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.
O pica-pau-lindo mede 27 centímetros de comprimento.
Cabeça ferrugínea, sendo que o macho apresenta faixa malar e topete vermelhos; peito e cauda negros; asas ferrugíneas; dorso e partes inferiores amareladas escamadas de preto.
No Acre vive em matas ripárias com bambu em barrancas de rios e ilhas fluviais. Encontrado solitário ou aos pares, tamborilando em colmos secos de bambu.
Ocorre na Bolívia, Peru, Equador e no Brasil (Acre).
O pica-pau-louro mede 27 centímetros. Cabeça e penacho amarelo, com faixa malar vermelha no macho e preta na fêmea. Partes inferiores castanho escuro; dorso escuro barrado de amarelo; asas marrons barradas de ocre escuro; supracaudais amareladas.
Característico de áreas abertas arborizadas, vive no Pantanal de Mato Grosso e no Chaco paraguaio em cerrados, capoeiras, carandazais, matas de galeria, bacurizais e campos sujos. Desloca-se nos típicos voos ondulados de todos os pica-paus, alternando fortes batidas de asa para ascender e quedas com as asas fechadas. Costuma voar a pouca altura, logo entrando escondendo-se nas árvores. Voz: Possui um chamado alto, como uma gargalhada agradável em três ou quatro sequências seguidas. Tamborilar de território rápido, com batidas uniformemente ritmadas.
Ocorre nas formações arbóreas da drenagem do rio Paraguai, Mato Grosso até a Bolívia, Paraguai e Argentina.
O picapauzinho-chocolate mede 20 centímetros.
Uniformemente castanho com faixas transversais negras; uropígio e face inferior das asas amarelos; cauda anegrada; macho com faixa malar vermelha.
Vive em matas de terra firme e de várzea, vivendo também em capoeiras, matas secundárias e campos arborizados. Vive solitário, aos casais ou em grupos familiares de 3 a 4 indivíduos e, as vezes em bandos mistos.
Ocorre das Guianas ao alto Amazonas, Bolívia, Pará (rio Tocantins) e norte do Mato Grosso (alto Xingu).